Dionísio Cerqueira/SC x Bernardo de Yrigohen/AR x Saenz Peña/AR.
Após o descanso partimos para entrar na Argentina. Chegamos perto das 06h00.
A fronteira do Brasil com a Argentina nesta parte é formada por três cidades: Dionísio Cerqueira/SC, Barracão/PR e Bernardo de Yrigohen/AR. Como a fronteira seca torna um pouco confuso localizar o posto da Aduana.
Na Aduana não encontramos qualquer dificuldade para entrar na Argentina. Não tinha movimento. Apresentamos os passaportes, informamos quantos dias pretendíamos permanecer no país, por qual fronteira iríamos sair. É preciso dar entrada do veículo no país, e o proprietário do veículo precisa ser um dos ocupantes. O tratamento dos agentes da Aduana bem tranquilo, falam devagar tornando bem compreensível o espanhol.
Foi realizada a inspeção no veículo. Tudo dentro da normalidade. Verificaram a documentação, tudo ok. Todos os procedimentos na Aduana não levaram mais do que 30 minutos.
Em Bernardo de Yrigohen abastecemos com a gasolina argentina, chamada de por eles de “nafta”. Existem basicamente três tipos de nafta, com as octanagens 93, 95 e 97. Nos posto YPF temos a Super (93) e a Infinia (95). Como o manual do carro indica a octanagem 87, completamos com a Super.
Partindo de Bernardo fomos em direção a Posadas. Fizemos uma parada para o café da manhã em um lugar na beira da rodovia Ruta Nacional 14, na localidade de Aristóbulo del Valle. O vento não colaborava muito, estávamos usando um liquinho com fogareiro para esquentar a água. Foi um pouco difícil mas conseguimos fazer uma barricada e finalmente o café ficou pronto.

Agora partindo de Aristóbulo fomos em direção a Posadas.
Quando chegamos em Posadas chegamos a ensaiar uma chegada no Paraguai pela ponte que dá acesso a Encarnacion, mas a fila estava muito grande… Na entrada da ponte perguntei para o pessoal da fronteira e disse que teríamos que realizar o trâmite de entrada e saída da Argentina pro Paraguai na volta a mesma coisa… Meia-volta! Esquece entrar no Paraguai, ia atrasar demais nossa programação…
Uma pena, queria tanto comprar umas bugigangas… Câmera pro carro, cartões de memória, Dvd de teto, mas… Fica pra próxima!🙁

Em Posadas a Caravan nos deu o primeiro susto (de um milhão de outros sustos que sucederam esse!). Fizemos uma curva acentuada para a esquerda, numa descida e o carro apagou… Já deduzi que era porque o tanque estava com pouco combustível e a bomba não estava conseguindo puxar direito. Parei com o carro no acostamento, numa parte plana. Dei partida e pronto o carro funcionou de novo.
Depois desse episódio passei a evitar deixar o tanque com menos de 1/4 de combustível.
Paramos em um supermercado em Posadas. Os preços não muito diferente daqui. Mas esse pote de sorvete por miseros 200 Pesos Ah!… Tivemos q comprar!
Após o banquete de sorvete abastecemos num posto na região central de Posadas e partimos em direção a Corrientes. Nossa idéia era passar pela ponte que faz a divisa encontrar um local bom para encostar a nave e descansar um pouco.
No trecho entre Posadas e Corrientes fomos abordados pela Gendarmeria.
Eu já tinha preparado uma pasta com todos os documentos juntos: Passaportes, PID (Permissão Internacional para Dirigir), CNH, Documento do veículo, Apólice Seguros (Carta Verde), Certificado Internacional de Vacinação… Uma agente feminina nos abordou. Solicitou nossa documentação e a do veículo. Entreguei o que foi solicitado. Nem olhou direito a documentação, pediu a carta verde. Conferiu, questionou a assinatura na apólice ser digitalizada. Expliquei que já peguei pronta, que é assim mesmo e tal. Não muito convencida pediu o “mata-fuego” e “primeiros-socorros”… Pois bem, eu não tinha nenhum dos dois.
Na Aduana da Argentina em Bernardo de Yrigohen, na viagem que tínhamos feito em 2017 para Buenos Aires, eu havia me informado sobre essa questão do extintor, o agente me disse que dificilmente cobram isso, que se chegassem a pedir era porque queriam propina. Lembrei disso. E de fato naquela viagem fui parado pelo menos três vezes pela Gendarmeria, em todas me pediram apenas a documentação, perguntaram de onde vinha para onde ia e “boa viagem”. Nem o tão famigerado cambão e tais dois triângulos pediram. Sendo assim dessa vez eu nem me preocupei com o tal “mata-fuego” nem o kit de “primeiros-socorros”, trouxe por precaução o cambão e os triângulos.
Voltando a abordagem, expliquei que no Brasil esses itens não são mais exigidos, que tinha me informado na Aduana e disseram que não era cobrado e tal. Disse que eu seria autuado, que a multa era não sei quantos milhares de peso, a serem pagos quando saísse do país. Me pediu que a acompanhasse até a guarita. Então eu expliquei que trabalhava na mesma atividade de policial rodoviário no Brasil, que não cobrava esses itens como “extintor” e “primeiros socorros” dos turistas argentinos quando fiscalizava eles nas rodovias daqui. Ela parecia estar um pouco ansiosa. Saiu da guarita, pediu para eu aguardar que ia conversar com o seu “superior”. Conversou com um outro policial que estava em pé perto da viatura, que fez um gesto com a mão sugestionando “deixe ir”. Ela voltou me entregou a documentação e disse que eu poderia ir mas que comprasse o “mata-fuego” e “kit primeiros socorros” para não ser incomodado em outras barreiras. Perguntei onde teria um lugar mais próximo que pudesse comprar, me disse que passando o pedágio uns 6km teria uma cidade chamada Ituzaingó, lá eu encontraria. Importante deixar bem claro que nenhum desses policiais dessa abordagem em nenhum momento me pediu suborno ou deu a entender explicitamente que queria alguma vantagem indevida.

Entramos na cidade de Ituzaingo para comprar o extintor e o kit. Não encontramos com facilidade. As pessoas realmente pareciam não saber do que falávamos. Um frentista do posto de combustível onde perguntei se tinha, só comentou assim “te pediram mata-fuego é?” como se dissesse “queriam dinheiro”.
Então entrei na cidade para procurar o extintor, e um caixa eletrônico pois precisávamos sacar um pouco de dinheiro também.
Como meu filho é estudante na Argentina, e ele já tem identidade de estrangeiro ele tem uma conta num banco da Argentina. Então fizemos um teste, compramos uma coisa qualquer aqui no Brasil e pagamos com o cartão do banco da Argentina. Consultamos o extrato dele em seguida e adivinhem: não é cobrado nenhuma tarifa e nem IOF. Pois é! Ai tivemos a brilhante idéia de usarmos o cartão dele para pagar as despesas que pudessem ser pagas com cartão de débito no exterior. O plano funcionou muito bem, até ele precisar fazer o primeiro saque!
Quando entramos na cidade, o pessoal queria parar numa sorveteria. Eu e o Matheus fomos procurar o caixa eletrônico e o extintor. Encontramos, depois de muitas dicas furadas, uma loja de auto-peças. Tinha o mata-fuego e o kit por 1100 pesos. Detalhe, o pagamento apenas em “efectivo”. Se tem uma coisa que enche o saco é ouvir isso! Isso quer dizer que não aceita cartão, nem Real, nem Dólar… só a moeda local. Então vamos procurar um “cajero” (caixa eletrônico).
Encontramos sem muita dificuldade o tal cajero. Parei o carro do lado esquerdo a rua. Enquanto Matheus realizava o saque no caixa eletrônico, resolvi parar do outro lado da rua, pois tinha sombra e ali o sol tava forte no rosto. Devia ter fica onde estava! Quando cruzei escutei um barulho forte embaixo do carro. Desci e vi uma scooter caída na frente do carro. Levantei a scooter, tinha uns riscos apenas. Não tinha quebrado nada. Um agente de trânsito que estava do lado do banco se aproximou. Perguntei se sabia de quem era a moto. Disse que não sabia. Esperei mais uns minutos, ninguém se manifestou. Deixei meus dados com o agente e disse que se alguém reclamasse poderia me ligar que estava disposto a pagar os danos.
Matheus quando ouviu o barulho saiu do caixa eletrônico e… sem querer deixou o cartão na máquina. Nesse caixa primeiro você pega o dinheiro depois ele devolve o cartão. Então agora já era o plano de não pagar IOF e taxas pagando com cartão…
Minha preocupação era justamente com o tempo. Era uma sexta-feira, próximo do final da tarde. Se não conseguisse comprar aquele extintor ali naquela cidade, dificilmente chegaria a tempo, na próxima cidade, de achar algum lugar aberto que vendesse. Não queria correr o risco de ser parado de novo pela polícia sem estar com o tal “mata-fuego”. Então voltei ao estabelecimento que só aceitava “efectivo” e comprei o extintor e o kit de primeiros socorros. E vamos abrir um parenteses para esse kit, que negócio mais tosco! Eu nem me dignei abrir porque é realmente algo muito ridículo. Dois frascos de 50ml de nem sei o que, mais um band-aid, um rolo de esparadrapo. Enfim… vamos acelerar que tem muito chão e a noite se aproxima.
Passamos a ponte que faz a divisa entre as cidade de Corrientes e Resistência já era noite. Não pudemos parar para tirar uma foto, pois é uma pista simples, sem acostamento… e a já estávamos bem cansados. Mas conseguimos tirar uma foto boa da lua.

Paramos em Saenz Peña para descanso.











