Dia 03 (23/02/2019)

Saenz Pena x Guemes

Fomos de Saenz Pena em direção Salta.

O caminho até Saenz Peña estava muito tranqüilo. As estradas da Argentina na maior parte do trajeto que fizemos tinham uma conservação muito boa do pavimento, poucos caminhões. As estradas nessa região da Argentina são na maior parte sem acostamento pavimentado. Pista simples, uma faixa vai e a outra vem, retas infinitas e terreno plano.  Não precisamos nos preocupar com radares escondidos, nem com motoristas apressados. Quando cruzamos algum perímetro urbano apenas precisamos ter mais cautela com os motociclistas e pedestres, mas não muito diferente de qualquer outro lugar com aglomerado urbano.

A vegetação que a rodovia corta lembra muito fazendas de filmes. Pastos que somem no horizonte, vaquinhas malhadas, uma casinha perdido lá no meio… para um comercial de TV falta apenas a música country americana. Dirigir nessas estradas é para desestressar mesmo. Piloto automático em 100km/h e basta.

Em algumas rodovias da argentina existem praças de pedágio.  Se comparados com os valores daqui não são muito elevado. Pagamos 60 Pesos (1 Real = 10 Pesos Argentinos) em um trecho de mais de 100km de pista dupla e bem conservada.

Pela Ruta Nacional 16 partir da cidade de Mato Quemado até chegar em Taco Pozo passamos pelo pior trecho dessa rodovia, o pavimento estava em estado deplorável. Levamos pelo menos duas horas para percorrer um trecho de menos de 50km. Buracos gigantes, poeira, transito intenso de veículos pesados. Em algumas partes do trecho era preciso trafegar pelo que sobrou do que um dia foi um acostamento; pois era simplesmente impossível passar pela pista, pelo tamanho que tinham os degraus.

Chegamos em Taco Pozo e encontramos a gasolina mais cara até então. Existia um posto de combustível que parecia ser sido construído a pouco tempo, bandeira ACA. Não parecia muito confiável. Optamos em colocar quantidade menor de combustível e terminar de abastecer em algum YPF que existisse adiante. Existia um posto com o aspecto um pouco melhor no sentido contrário da rodovia. Fomos abastecer neste posto chamado El Refugio. Aproveitamos para imprimir a Apólice da SOAPEX que estava no pendrive, tinha um escritório do posto de combustível e fizeram essa gentileza para nós.

SOAPEX é um seguro semelhante a “carta verde” exigido pelo Chile para os veículos estrangeiros. Só é possível adquirir pela internet, e não é tão dificil de fazer. O pagamento é feito utilizando cartão de crédito internacional. Comprei o meu no site da HDI, tem formulário bem simples, já faz o pagamento e recebe pelo email. Muito simples, quem interessar o link está aqui .

Já estávamos nos aproximando da hora do almoço, e queríamos encontrar um local tranquilo para preparar nossa refeição. A próximo cidade de maior porte era Joaquim Victor Gonzalez e lá tinha um posto YPF.

Completamos o tanque nesse posto YPF de Joaquim Gonzalez. Pegamos a estrada em direção a Salta. A estrada muito boa, dia com um sol bem gostoso também. Sabe quando está tudo tão bem que você pensa: “está tudo muito certo, tem alguma coisa errada!”. Não deu outra. Andamos uns 20km e o carro simplesmente apagou. Agora não era descida, não era curva, não era pouca gasolina no tanque. Parou e pronto. Acenderam as luzes do painel, cortou a rotação do motor e desligou. Tentei o mesmo truque da outra vez. Esperei um pouco e bati partida. Nada feito, o carro não pegava. Bati umas 5 vezes e nada. Lembrei que uma vez tinha dado problema parecido e o mecânico resolveu dando uns tapas embaixo do tanque e disse que a bomba poderia estar presa. Fiz isso, e não é que funcionou?!!… Sim, funcionou até eu andar mais alguns 2 ou 3 km e cortou de novo. E assim fui dando esses tapas, ela andava 5, 10 as vezes mais de 15km. Tinha hora que os tapas não resolviam, então esperava uns minutos. A meta era esperar 10minutos. Batia partida ela funcionava. Se mantesse a rotação alta, ela rodava mais antes de falhar. Só podia ser a bomba de combustível. Mas era um sábado a tarde, onde iríamos encontrar uma oficina mecânica aberta e ainda com alguém habilitado e interessado em mexer no carro naquela hora. E se precisasse trocar alguma peça, onde iríamos encontrar? Conseguimos chegar em uma praça de pedágio na localidade de Cabeza de Buey. Para ajudar tinha uma choupana para uso público, num lugar seguro e com sombra. Hora de preparar o almoço, e deixar a nave se recuperando.

Fui conversar com o responsável pelo praça de pedágio. Eu pretendia pagar o pedágio adiantado para que quando eu passasse não precisasse parar na cabine. Expliquei que o carro estava com problema em baixa rotação e tal. Ele disse que não tinha problema que era só avisar quando fosse sair. O problema é que tinha um grupo de policiais da gendarmeria assim que passava a praça. Bom, se pedirem para parar paciência!… Esse senhor me disse que tinha mecânico na cidade a frente chamada General Güemes que ficava a uns 15km.

Tenda na praça de pedágio Cabeza de Buey.

Terminamos de almoçar e fomos em direção a Güemes. Passei pela cabine que eu já tinha deixado pago, a atendente levantou a cancela e a polícia quase pediu para eu parar, ainda bem que mudou de idéia. Antes de chegarmos a Guemes o carro até deu umas falhadas mas não desligou. E eis que encontramos a Mecânica San José!!

Trabalhavam dois mecânicos nessa oficina. Tive que usar os serviços do meu “intérprete” Matheus para explicar bem certinho o que estava acontecendo com o carro. Ele me disse que eu precisava esperar porque tinha alguns carros na frente para consertar. Ou seja, ia demorar… Perguntei sobre preço, se fosse o que estávamos pensando… Ele disse que cobraria 500 pesos pela mão-de-obra mais as peças. Eu pedi para o Matheus perguntar de novo, porque eu estava achando 500 pesos muito barato (50 reais praticamente), pela trabalheira que dava. Ele confirmou. Bem… então vamos esperar!

Está vendo aquela Kangoo estacionada ali? Ele disse que ia terminar de arrumar ela, estavam esperando chegar uma peça, iam montar nela e daí eu já podia colocar a Caravan ali para eles mexerem. Ah blz! Eis que vejo chegar a peça da Kangoo: um comando de válvulas. Ai que percebi que ia demorar messsmo! Então, nos resta explorar a cidade! Fomos ao mercado, visitamos as muitas barraquinhas de camelôs. Compramos água, mantimentos, óculos, passamos no cajero… Tudo isso usando a Caravan, e ela nada de falhar! Ainda bem? Talvez sim, talvez não. Ela não se auto-consertou de ver o mecânico, por outro lado não parecia ser algo muito grave.

Percebemos que nessa cidade existia uma quantidade maior de pessoas que usavam a folha de coca. Não vi ninguém fumando cigarro comum. Agora com a buchecha inchada era mais do que o normal. Eles vão colocando as folhas em um lado da boca e vai acumulando e fica bem inchada a buchecha, parece quando inflamos para imitar o Quico do Chaves. Não tem como não notar.

Assim, a Kangoo ficou pronta perto da meia-noite. Ainda tinha um Vectra para arrumar a embreagem antes.

Então vamos preparar nosso jantar. E montamos ali mesmo na frente da oficina nossa cozinha de campanha. Nosso fogareiro estava com pouco gás e o pessoal do Vectra, que também curtiam acampar, nos emprestaram um fogareiro. O deles era desses que usam carga de gás que vem em embalagens parecidas com spray. Eu já tinha visto no mercado livre, mas acabei não comprando. Me arrependi. É muito eficiente.

E após jantarmos, proseamos bastante com os argentinos do Vectra. Eles estavam viajando em dois carros, eram parentes. Eu já estava esgotado. Armamos uma das barracas ali na frente da oficina e dormimos no carro e na barraca.

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