Pozo Almonte/Chile x Tacna/PE

Amanheceu em Pozo Almonte e o destino agora era a fronteira com o Peru. Partimos logo cedo e alguns quilômetros encontramos um posto de combustível que sem dúvida alguma podemos considerar o mais bem estruturado em toda a viagem.

Restaurante limpo, preço justo. Banheiros com água quente, uso com ficha. Lavanderia com secadora. Amplo lounge e o atendimento muito respeitoso. Até frutas frescas tinha para venda.
Saímos em direção ao Peru na estrada ao olharmos para a esquerda vimos uma cidade aparentemente abandonada. Não sabíamos ainda que se tratava da cidade fantasma de Humberstone. Fizemos a volta e então lendo com mais atenção as placas é que nos demos conta de que estávamos próximos de conhecer um dos locais mais interessantes da viagem.
Passamos praticamente a manhã toda e não conseguimos conhecer tudo o que tem. Muita coisa para ver. Desde casas com os móveis dos antigos moradores, móveis e utensílios antigos. Fábricas com os maquinários, locomotivas, automóveis. Pudemos conhecer a casa do “chefe”, prefeitura, escola, hospital, teatro… uma cidade completa. No armazém e na estação do trem se concentrava a maior atividade da antiga cidade e lá estão os bonecos de cera simulando vendedores, padeiros, açougueiros, passageiros, crianças… e um som ambiente reproduz vozes, gritos, apitos, motores, locomotivas. Volta ao passado, você pode sentir a atmosfera da época.
Como não tinhamos programado esse passeio e nele gastamos pelo menos 4 horas, precisávamos partir, senão iríamos comprometer os outros passeios que estavam agendados e reservados.
Partindo de Humbestone fomos em direção a fronteira com Peru. Levamos cerca de 3 horas para cruzar 260km. Nesse trecho a estrada está em perfeitas condições. Uma obra no caminho, com desvio por entre as montanhas.
Mais adiante encontramos no caminho os Geóglifos de Chiza, visíveis da estrada mesmo. Um mirante estratégicamente construídos para os viajantes poderem contemplar.

Faltando uns 20km para chegarmos na cidade de Arica encontramos esses monumentos. Não entendemos bem o que simbolizavam. Na placa dizia Presenciais Tutelares. O importante era registrar!
Foi nesse trecho, chegando em Arica que conseguimos, da estrada mesmo ver o maior logotipo da Coca-Cola. Para quem quiser conferir, é possível ver pelo Google Maps Satélite. Depois ficamos sabemos que era feito de garrafas vazias.

Chegamos em Arica, tentamos encontrar o tal Morro de Arica. Mas por não parecer tão interessante e já estarmos com o tempo bem comprometido por conta da parada em Humberstone decidimos que seria melhor passar logo a fronteira.
Eu já tinha acessado relato de viajantes dizendo que a fronteira do Chile com o Peru era bem problemática com relação aos trâmites. E de fato é!
Existe uma série de procedimentos que devem ser realizados e as informações não são bem claras. Embora conseguimos todas com os funcionários, mas não são todos que conseguem te explicar com clareza.
No mesmo prédio é feito a saída do Chile e a entrada no Peru. Primeiro procedimnto é realizar a saída do Chile tanto das pessoas quanto do veículo. Depois você preenche um documento, uma espécie de lista onde coloca seus dados e dos acompanhantes, do veículo também. Após esse procedimento, é dado entrada das pessoas no Peru, carimbo nos passaportes. Bagagens devem ser revistas foram do veículo. Toda a bagagem tem que ser levada para passar pelo scanner e vistoria dos agentes. Após deve ir a um setor chamado SUNAT, onde o proprietário do veículo deve estar presente, para o procedimento de internalização do veículo no país. Seria análogo a nossa Receita Federal.
Vencido os trâmites estávamos oficialmente em solo peruano. Agora era preciso comprar o seguro SOAT. Uma placa gigante na saída da Aduana adverte o viajante da necessidade de aquisição do SOAT para trafegar no Peru. Existe um quiosque que vende logo na saída da Aduana, mas estava fechado. Não funciona no período noturno. Então a saída era tentar encontrar na próxima cidade: Tacna.
Chegamos em Tacna já estava anoitecendo. A cidade muito movimentada. Passamos por uma avenida, provavelmente a principal, e havia muitas pessoas na rua, comércio funcionando normalmente e fluxo alto de veículos. Precisávamos cambiar Reais para Soles (moeda do Peru), comprar o SOAT e um chip de celular. Iríamos passar a maior parte da viagem em solo peruano, então era imprescindível ter acesso a internet…
Estacionamos o carro numa vaga, que não foi fácil de encontrar, numa rua próxima da avenida. Eu e o Matheus fomos a pé tentar encontrar o que precisávamos. A casa de câmbio foi fácil encontrar. O Soles estava valendo R$1,15, cotação justa. O chip encontramos num quiosque onde o próprio atendente cadastrou (depois descobrimos que foi uma furada, mas isso é uma história para contar adiante). O SOAT não encontramos. Indicavam uma loja em um lugar distante dali. Na verdade pareciam não saber muito bem o que estávamos pedindo, ou não entendiam. Voltamos para o carro e fomos para o norte em direção a Monqueguá. Paramos para abastecer logo na saída da cidade, num pequeno posto de combustível. Como não passou muita confiança apenas consultei o frentista e ele disse que encontraríamos lugar que vendia o SOAT em um posto que existia a 150km dali em Monqueguá.
Seria arriscado trafegar 150km sem o SOAT. Se fossemos parado pela policia carretera certamente iríamos ter problemas. Resolvemos seguir em frente e tentar encontrar algum posto maior na estrada, onde pudéssemos parar e descansar com mais segurança. Prosseguimos e passamos por duas viaturas da polícia carretera. Eram caminhonetes brancas, paradas em estradas vicinais, sem qualquer dispositivos ligado, apenas os faróis acesos para iluminar os veículos que passavam pela rodovia. Rodamos menos de 40km e chegamos em uma Aduana. Apresentamos a documentação, conferiram estava tudo ok. Não cobraram o SOAT. Apenas o tal guia SUNAT. Perguntei se havia algum lugar adiante que vendesse o SOAT. O agente explicou que em Moqueguá existia lugares para comprar, mas à noite não encontraria. E sugeriu que voltássemos para Tacna, tentar encontrar algum lugar que vendesse, para não arriscarmos rodar sem o SOAT pois certamente seríamos abordados antes de chegar em Moqueguá e poderíamos ter grande problemas com a polícia carretera. Nos indicou um lugar em Tacna que ficava aberto até as 22h onde poderíamos encontrar. Ainda era 21h15, dava tempo.
Bom, deliberamos e resolvemos acatar a sugestão do agente. Voltamos a Tacna. Encontramos o lugar onde vendia, mas estava fechado. Que droga!!
Começamos a procurar pela internet. Várias anúncios de vendedores de SOAT 24horas. Conseguimos um abençoado que respondeu o messenger do Facebook. Disse que tinha SOAT de 7dias, 1 mês e 1 ano. Mas no momento só tinha com validade de um mês (50 Soles) ou um ano (80 Soles). Resolvemos nos alimentar antes, estávamos famintos. Comemos frango frito no Pollo Pechugón Leguía. Já era perto das 23h. Fomos até posto de combustível, onde existia o ponto de venda onde havia o banner ostentando que vendia SOAT 24horas. Ligamos infinitas vezes para aquele número. Não atendia. Situação já estava ficando tensa. Então por falta de alternativa, ligamos para o abençoado, e agora ele disse só ter o de 1 ano. Oportunista ou não continuamos o contato pelo WhatsApp, e ele nos passou a localização. Estava quase 7km de distância. Já era quase uma hora da madrugada.
Para apimentar a situação, já não bastasse todo o estresse com o SOAT, a Caravan também entrou na pilha e começou a falhar de novo. Tinhamos rodados desde Pozo Almonte sem abastecer. Não podíamos passar em um buraco, nem virar um pouco e desligava. Lugar desconhecido, escuro. Desespero, procura no Maps o posto mais próximo: distante 2 km. Graças a Deus conseguimos encontrar. Abastecemos, mas não colocamos muito, a prioridade era chegar onde vendia o SOAT, e já tínhamos perdido muito tempo.
Pois bem. Quando chegamos no lugar da localização enviada, confesso que tive vontade de voltar. Estava acontecendo uma espécie de festa de rua, uma feira, algo assim. Muita gente na rua, mas pareciam todos embriagados. O vendedor pediu para pararmos em frente a InkaFarma e esperar. Avisamos que chegamos, logo em seguida veio até o carro. Pediu para seguirmos ele, com o carro, enquanto ele ia a pé pela calçada. Viramos a direita e direita novamente. Já estava avaliando acelerar o carro e vazar. Lugar escuro, parecia um beco. Mas é o aspecto do local. Ele pediu o documento do carro e a documento do condutor. Momento de tensão. Entreguei. Entrou na residência, fechou a porta. Agora é esperar e torcer para não ser golpe. Pelo menos não pediu o dinheiro antes… Voltou após uns 5 minutos, pediu para eu escrever o endereço em um papel. Entrou de novo. Quando voltou já estava com a apólice preenchida. Paguei os 80 Soles. Me entregou meus documentos e a apólice preenchida à mão. Estranho, pensei que seria algo impresso num computador, mas eu não estava em condição de questionar. Agradeci pela disposição em nos atender naquele horário, e aproveito para recomendar o serviço. https://inkanex.com/soat

Saímos dali com a ajuda do Google Maps em direção a Nazca. Só que dessa vez o Maps no indicou uma rota diferente da anterior que ia em direção a Monqueguá, direcionava para Ilo, ou seja, fomos em direção ao Pacífico.






























































































