Dia 22 (14/03/2019)

Lima x Nazca

Mais um dia que se inicia, e mais um desafio. Agora a viagem já estava chegando num estágio em que todos já estavam bem cansados. Menos a Are. Ela ainda queria ir ao Machu Picchu. Seria uma ótima idéia, não fosse a situação financeira e de tempo aliado as falhas do carro. Era realmente incerto até onde conseguiríamos fazer o caminho de volta até a Caravan estragar de verdade.

Paramos em um grande mercado na cidade de Pisco chamado PlazaVea. Compramos o bolo de aniversário do Guilherme. Muito embora o aniversário dele era dia 01/03 nós comemoramos com um pouquinho de atraso para ser especial!

Níver do Gui

Depois de comemorarmos o níver do Gui e rodarmos mais nem 50km a Caravan falhou de novo. Já sabia que teríamos que baixar o tanque de novo. Mas agora o plano era soldar os contatos do motorzinho da bomba. Em Ica encontramos um posto com rampa. E digo, não é fácil encontrar rampas em posto como temos no Brasil, tampouco com fosso. Aliás, não lembro de ter passado por algum que tivesse. Não sei como eles fazem para trocar o óleo dos caminhões… com o fosso parece ser tão mais prático. E agora o problema maior era que o tanque estava até a boca. Eu tinha acabado de completar. O tanque tinha pouco menos que 70litros de combustível, ou seja pelo menos 70kg + 10kg do peso do próprio tanque, ou seja 80kg para equilibrar na hora de retirar, tentando derrubar o mínimo. Não tanto por perder combustível mas pelo risco de incendiar mesmo. Nem dá para imaginar o que poderia acontecer. Os funcionários do posto foram muito solícitos e me mostraram como chegar na rampa. Estava localizada no pátio de uma empresa que instalava GNV, no fundo do posto. Essa era um pouco pior que a rampa do posto anterior, não tinha uma parte plana. Mas não tínhamos escolha. Nos deram dois galões vazios de 20litros desses de água mineral para colocarmos o combustível. O plano era tirar pelo menos 20 ou 30 litros antes de baixar. Mas assim que soltei a bomba já começou a derramar muito combustível. A gasolina deles sem mistura de álcool, parecia ser bem mais forte que a nossa, no contato com a pele principalmente. Mas como a necessidade supera o medo, mesmo já encharcado de gasolina que escorria consegui baixar o tanque com a ajuda dos meninos.

Os fios do contato estavam mesmo frouxos. Mesmo com o aperto que tinha dado com o alicate ainda não foi suficiente. Então liguei o ferro de solda numa tomada que me emprestaram. A solda não pegava no contato. Um dos rapazes buscou o ferro de soldar deles, bem mais potente, 100W talvez. Aí funcionou, a solda agarrou no contato. Assim montamos novamente bomba, tanque, e colocamos a gasolina que tinha sido tirada.

Devolvendo a gasolina, depois de soldar a bomba.

Para registro o link do Grifo Petroperu El Olavo, cujo equipe tanto nos ajudou.

E agora era só acelerar.

De Ica partimos em direção a Nazca. Paramos no mirante para oportunizar ao Felipe ver os geóglifos. Na ida ele tinha passado mal e ainda estava se recuperando.

Quando chegamos em Nazca continuamos a procura pelos cilindros de gás para o fogão portátil. Fomos em várias casas de utilidades, mercados, material de construção e não conseguimos encontrar. Já estávamos procurando desde o Equador e simplesmente não existe isso por lá, nem sabem o que é! A solução seria comprar quando chegássemos no Chile…

E em Nazca a Caravan começou a falhar de novo. Agora o problema voltou a ser quando funcionava em baixa rotação. Quando funcionava parada ou em trânsito lento diminuia a rotação, perdia força e desligava. Precisava esperar uns minutos para ligar de novo. As ruas do pequeno centro de Nazca são estreitas e movimentadas. Era horário de pico, muito trânsito. Não tinha como escapar do trânsito. Estávamos cansados então sair daquela muvuca era mais que necessário, para darmos início ao nosso sagrado descanso. E em uma dessa falhas, antes de parar no meio da avenida e ficar atrapalhando o trânsito entrei em uma ruela a direita. Muito estreita, praticamente só era possível sair de ré. E como não poderia deixar de ser, apareceu um outro carro querendo sair. Bom, eu não ia voltar para a avenida antes de descansar a Caravan. Então o carro que vinha deu ré, entrou em uma vaga da rua e eu passei. Logo chegava o fim da rua. Cercado de casas com as portas próximas da calçada. E quando iniciei a manobra de ré, raspei forte, a paralama esquerdo em uma mureta de uma dessas casas. Pelo menos não quebrou o farol… mas machucou nossa amigona! Enfim, conseguimos sair daquele lugar.

Baixamos a ancora no mesmo posto que nos acolheu da vez anterior. E mais uma vez fomos muito bem tratados. Armamos o acampamento, preparamos nossa comida e descansamos. Posto Grifo Primax – Coesti SA.

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