Dia 23 (15/03/2019)

Nazca x La Joya

Pela manhã a missão era encontrar uma oficina, de novo. O interessante era ter essa pretensão em um lugar desértico como é o ambiente de Nazca. Me surpreendi, estava bem mais próximo do que imaginava. Perguntei ao frentista que indicou ser uns 5km em direção a Nazca. Fui muito bem atendido pelos mecânicos, chamaram um rapaz para operar o escaner. Me cobraram 50 Soles (uns 70 Reais na época). No Brasil eu não pagaria menos de R$200, com certeza. Ele detectou uma falha no funcionamento sensor de ar/temperatura. Me mostrou um chicote próximo ao compartimento onde fica o filtro de ar, estava desconectado… Bom, será que era isso mesmo o problema? Tomara que sim…pensei! Voltei faceiro para o posto, agora sim! Achamos a raiz de todos os problemas… o conector de um sensor solto.

Enquanto fazia a correria na oficina, no posto a atividade era intensa, aproveitamos o sol para lavar as roupas em um tanque grande de água disponível.

Quando voltei com o carro já entrei na linha de montagem e dá-lhe torcer as roupas e por pra secar o que desse tempo. O que não secasse ia secar no painel durante a viagem. O sol estava muito forte, secava rápido.

Enquanto estávamos nessa atividade de lavar as roupas se aproximou um caminhoneiro para encher sua garrafa térmica de água. Conversamos, ele disse que viajava muito para São Paulo, conhecia o Brasil. Como estávamos deliberando qual a rota iríamos fazer na volta, perguntei o que sugeria: voltar pelo Acre, Bolívia, Paraguai ou Argentina. Ele sugeriu voltar pela Bolívia, disse que era a melhor rota, mais rápido, e tal. Sem qualquer pudor ostentava um revólver na cintura, naturalmente, como se tivesse portando um chaveiro.

Esse era um dilema que tínhamos que resolver ali. Qual caminho iríamos tomar para retornar. Voltar pelo Acre seria na hipótese de ainda irmos para Macchu Pichu. Liguei para um conhecido que trabalha no Acre, saber sobre a cheia do Rio Madeira que interdita a rodovia que liga Acre a Rondonia. Não tínhamos recursos nem tempo para ficar em uma região como o Acre por dias a fio no caso de interdição da rodovia. Ele me disse que ainda não estava perto a época de subida do Rio Madeira. Bom, então já era uma possibilidade. Porém de onde estávamos precisaríamos enfrentar o sobe e desce de mais duas cordilheiras para passar por Cusco e até chegar na fronteira Peru x Brasil. Era um risco muito grande nas condições que a Caravan estava e o financeiro também se viesse a ter algum problema mais sério.

A rota pela Bolívia estava absolutamente não recomendado pelo consulado do Brasil em Santa Cruz de la Sierra. Estava bem explícito o aviso aos viajantes brasileiros que estivessem planejando passar de automóvel pelo território boliviano que evitassem. E os motivos para evitar iam desde desde a dificuldade de encontrar um posto que vendesse combustível para estrangeiro até possibilidade grande de ter o veículo apreendido (e leiloado) pela falta de algum documentação que sequer fornecem mas cobram durante a fiscalização. Descartamos voltar pela Bolívia. Sobrou retornar pelo mesmo trajeto que fizemos quando viemos, ou seja passar pelo Atacama e sair da Argentina entrando no Brasil por Dionísio Cerqueira ou variar um pouco e descer os Andes até San Salvador de Jujuy e contornar o norte da Argentina entrar no Paraguai e entrar no Brasil por Foz do Iguaçú.

Deixamos para decidir qual seria a rota mais adiante durante as próximas horas.

A viagem foi bem tranquila, até a parada para o almoço. Aquele caminho costeando o Pacífico já conhecido. As montanhas contornadas pela estrada, as subidas e descidas sem surpresas. A Caravan até aí se comportou direitinho!

Paramos para um banquete num restaurante da beira da estrada. O preço muito acessível, 10 Soles por pessoa. Estavamos todos famintos, e aquela comida estava mesmo deliciosa. Começou com um caldo de peixe delicioso e depois muito peixe frito, empanado. O restaurante é o Farid, recomendo!

O certo era depois, dessa deliciosa refeição, dar um cochilo numa rede bem preguiçosa. Mas não tinha rede, só muita estrada… e paisagens deslumbrantes. Dirigir margeando o Pacífico é uma experiência para a vida.

Sem muitas novidades na viagem, paramos na cidade de Ático para abastecer, deixamos nosso adesivo no totem. Posto Grifo Y Gasocentro Apostol Santiago.

A estrada muito tranquila, perigosa. O mais interessante é que não existem tantos motoristas aloprados. Uma amostra no vídeo

Em princípio iríamos mesmo para Cusco, conhecer Macchu Pichu. Direcionamos as velas para o Oeste. Rodamos até a cidade de La Joya, encontramos um posto com chuveiro quente. Posto Primax La Joya.

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