Dia 24 (16/03/2019)

La Joya x Tacna

Saímos em direção a Arequipa, iríamos passar por Cusco e “tentar” chegar em Macchu Pichu. Já tinhamos a informação das várias formas de chegar. E iríamos arriscar a trilha a pé e ir com a Caravan até a tal Usina onde dava para deixar o carro. Esse era o plano. Chegamos em Arequipa e paramos em no Grifo Gamarra. Tomamos um café delicioso. Pois bem, eu estava receoso de fazer a rota para Macchu Pichu, pois chegando lá só iríamos conseguir voltar ou pela Bolívia ou pelo Acre. Eu entendia ser mais sensato deixarmos para outra oportunidade a viagem para Macchu Pichu. O plano inicial da viagem sempre incluiu conhecer Cusco, as ruínas do Templo do Sol, etc… era uma lástima alterar o plano. Porém alguns fatores não podiam deixar de ser considerados. Tínhamos atrasado o cronograma com as panes da Caravan até ali, pelo menos uns três dias de atraso. O orçamento planejado para a viagem tinha sido extrapolado em muito do que havíamos previsto, fora os cartões que foram comidos pelas máquinas que nos deixaram com menos acesso aos valores para a viagem. Eu também estava considerando que havia o perigo de ficar sem o carro passando pela Bolívia e que vir pelo Acre iria aumentar pelo menos em mais 3 dias a viagem além das cordilheiras ainda a serem enfrentadas e a Caravan que ainda não estava livre de pane. A família ficou um tanto chateada, mas estávamos todos um tanto cansados e a viagem já tinha rendido muitos episódios de tensão. O bom senso predominou e decidimos abortar a ida para Macchu Pichu. Era visível nossa frustração, mas foi a melhor decisão e o restante dos episódios que sucederam a viagem comprovou, principalmente, como Deus estava nos acompanhando durante toda a viagem.

Quando iniciamos a correção da rota e voltando para o em direção ao Pacífico para irmos em direção a Moquegua entramos em uma rodovia Panamericana Sur que em especial nesse trecho lembrava muito o cenário do filme MadMax. Eram só montanhas de pedra, areia e o deserto… quase ou nenhuma árvore, nem água… impossível para um ser humano viver uma vida normal num lugar como aquele. Para conferir e ter uma idéia do que estou falando é só clicar no link e ver o Google Street… Chega a dar uma pavor de pensar ficar com o carro estragado com família num lugar sem absolutamente nada em volta a não ser o deserto.

Panamericana Sur cruzando o deserto…

A Caravan não tinha desistido de nos assustar. E foi justamente num trecho de subida que começou a manifestar o problema de cortar a alimentação do motor e desligar. Sabe aquela sensação de que não tem mais o que ser feito? Era assim que me sentia. Já imaginava a gente acampando no deserto, passando a noite naquele por ali na beira da rodovia, tentando pedir ajuda a algum outro viajante, conseguir um guincho… e assim conseguimos chegar a um posto antes da entrada de Moquegua, Grifo Copacabana. Completado o tanque resolvemos entrar na cidade de Moquegua procurar uma oficina mecânica. Era um sábado, já passava do horário do almoço. A verdade é que se fosse no Brasil, numa situação como aquela, só conseguiríamos uma oficina aberta na segunda-feira. Mas ali era o Peru. E no Peru o povo abre até os bancos no domingo, como já tínhamos constatado em Trujillo.

A Caravan não funcionava em marcha lenta nem 5minutos sem falhar. Chegamos em uma oficina chamada Fuerza Motriz, o Maps nos indicou. Só de estar aberta já nos deu esperança. O mecânico que parecia ser o chefe levou um tempo para nos dar atenção. Diagnosticou que o problema era elétrico e não mecânico. Apontou da rua em direção a uma vila morro acima e disse que lá uns 500metros tinha um eletricista, que era só perguntar por lá… Olha a verdade que se não fosse a situação eu nem daria crédito, mas já estava começando a pegar o “jeitão” dos peruanos. Então fui na direção indicada. E achamos o eletricista. Eu confesso que não botei nenhuma fé que aquele rapaz iria conseguir fazer algo por nós. O aspecto da “oficina” que nada mais era que uma varanda com três ou quatro carros velhos na frente do quintal de uma casa comum… porém a fé faz milagres, não?!

Auto Elétrica

O eletricista, rapaz um tanto humilde, falou que precisava passar o escaner antes. E o resultado foi que em princípio estava tudo ok com o carro.

Então pediu para dar uma volta como carro. Saiu com todo mundo dentro do carro, só eu fiquei. Voltou e disse que o problema era elétrico e na bomba de combustível. Que iria precisar sacar ela, mas que isso quem faria seria o mecânico, nesse caso a Oficina do Frank que ficava em frente. Ele trabalhava com o Frank mas não na oficina. Perguntei se o Frank faria o serviço ainda naquele dia, respondeu que sim, mas que iria chamar ele. Veio o Frank conversou comigo com ele e disse que resolveria aquele problema para mim, era só esperar que tinha outros carros na frente. O Frank um cara bacana, brincalhão, disse para irmos almoçar e depois a gente resolvia. Eu já vi a gente saindo para almoçar e voltando com a oficina fechada. Disse vou esperar aqui. Preparamos o almoço ali mesmo, numa fogueira improvisada que queimou o muro do vizinho, mas que ela não se importou, pelo contrário disse que poderíamos ficar a vontade. Já aproveitamos o momento e esticamos um varal pra secar as roupas que lavamos lá em Nazca e que não tinha secado bem ainda.

O Frank voltou. Terminaram o carro que estava bloqueando a entrada da oficina e nós colocamos a Caravan pra dentro. Ele instalou o manômetro e pediu para ligar, e a Caravan não desligava. Sabe aquela história do defeito que some quando chega quem vai consertar, era exatamente o que estava acontecendo. O ponteiro do manômetro fica lá em 3bar, paradinho, normalzinho. Mais de 5 minutos se passaram e nada de falhar, até que começou a oscilar o ponteiro, descendo até que desligou. O Frank diagnosticou como sendo a válvula de pressão. Vixi… onde vamos encontrar uma válvula de pressão de combustível de uma Grand Caravan? Ali em Moqueguá com certeza não seria. Então ele disse que iria ver se dava recuperação a peça. Se desse certo não iríamos precisar esperar a peça, que segundo ele só segunda-feira chegaria, se tivesse em Lima!! Agora assim, era orar! E nós oramos! Segunda feira eu já queria estar cruzando a fronteira do Brasil!! Então tiraram uma Besta que estava sobre o fosso e pararam a Caravan para baixar o tanque, que estava cheio digasse de passagem. Vi o sofrimento dos meninos para baixar, mas com as ferramentas e ambiente favorável foi bem mais fácil para eles baixarem do que para nós.

Tanque baixado, bomba sacada. Colocarem ela equilibrada numa banqueta e agora era esperar o eletricista. Então, o eletricista estava mexendo numa Hilux, nova, na frente da oficina dele e parecia que não iria ser breve. E não foi. Pelo menos uma hora esperamos. Acho até que foi mais. Já estava começando a anoitecer, já vi que dali um pouco a oficina iria fechar e deixar o serviço para segunda. Mas o Frank mais uma vez me animou “- Você vai pegar o caminho para o Brasil hoje ainda, fique tranquilo!” Era confortável ouvir isso, mas enquanto eu não visse aquela bomba montada e instalada e o motor funcionando… não acreditava. O eletricista chegou, pegou a bomba, sentou numa cadeirinha com lampada proxima e uns produtos começou a fazer uma limpeza, uns soprões, esfrega uma peça com pano… e pronto! Já estava pronta pra ser montada no tanque. Ele explicou que tinha muita impureza na válvula e entupiu, isso causava o problema. No mais a bomba estava ok! Graças a Deus…

Quando montaram e o carro funcionou eu só então me acalmei… O Frank me chamou para experimentar o carro, e fiz tudo que causava o desligamento. Parei, acelerei muito, freiei, enfim… parecia que agora estava resolvido definitivamente o problema da bomba! O Frank cobrou um preço pelo conserto que confesso me supreendeu, forma 170soles… verdade! Não chega a R$250… Bom, eu nem imagino por aqui quanto ficaria… Agora era só acelerar, tinha muita estrada ainda! Já era 8 da noite, conseguimos chegar em Tacna, paramos num posto chamado Grifo TPA. Encostamos numa parte mais afastada do pátio entre caminhões, armamos as barracas e descansamos… chega por hoje!

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