San Salvador de Jujuy/AR x Laguna Naick Neck/AR
A noite tinha sido de um sono tranquilo, apesar do trânsito na rodovia que pela intensidade dos barulho produzido pelos veículos mais pesados…
De qualquer forma acordamos tão logo rompeu o dia, fizemos o desjejum e partimos em direção a fronteira com o Paraguai. Sim, decidimos fazer a rota cruzando de Assuncion até Ciudad del Este e entrar no Brasil por Foz do Iguaçú.
Consultei o TripAdvisor para ver os comentários dos viajantes sobre essa rota. Não era muito animador. Muitos dizendo terem sido vítimas de achaques pela Polícia Paraguaia. Bom, sobre isso eu conclui que conseguiria lidar sem maiores problemas, estávamos todos com a documentação regular e o veículo também. Então seguimos.
Bom, a paisagem das estradas no norte da Argentina já nos era familiar. Retas infinitas, pavimento plano e vegetação alta ao redor… O que nos chamou a atenção era que volta e meia encotrávamos pessoas com fortes traços indígenas perambulando nas margens da rodovia, até caçadores armados circulando tranquilamente. Animais pastando a margem da rodovia. Eram cabras, ovelhas, até porcos… e por vezes fomos surpreendidos por cães pastores que corriam atrás do carro para nos “espantar”! Vimos essa cena inúmeras vezes. Em alguma parte da estrada vimos uma caminhonete que havia passado por nós alguns quilometros antes parada e os ocupantes olhando algo no chão. Ao passar por eles vimos que tinham atropelado uma cobra enorme, talvez uma cascavel. Bom, não tínhamos tempo de ficar contemplando esse feito. Seguimos em frente, pois o Google não nos animava muito: Quando ingressamos essa Rota 81 a voz feminina dos avisou “em 505km vire a esquerda”… e não era um blefe!
E agora começou uma parte da viagem realmente preocupante. Naquele trecho inóspito, era de se imaginar que a internet 3G não existe, mesmo apelando pro roaming da Vivo. Então, era um vôo cego, pois “tinha que ter” um posto nos próximos 200km, ou ficaríamos literalmente na estrada. E não tínhamos mais condições psicológicas para isso! Em alguns momentos apareciam informações de acesso a povoados tanto a direita quanto a esquerda, mas não pareciam ser o grande suficiente para ter posto de combustível. E depois consultando o Google Maps constatei que não estava errado. Entrar em uma estrada que levava a lugar algum significava além de gastar desnecessariamente o combustível que, naquela situação, era nosso principal capital seria a perda de tempo no tráfego durante o dia. A estrada apresentava uns buracos isolados, suficiente para destruir a suspensão de um caminhão. Então não convinha arriscar, antes trafegar o máximo possível na velocidade de cruzeiro, com controle do consumo, afinal de contas a estrada era virado em plano e retas, nem lombadas tinha… a Caravan mantinha o consumo de 9km/litro, isso animava a seguir em frente, embora o indicador de autonomia indicando 250km não significava nada! Já estava marcando meio tanque, isso importava. A qualquer momento a bomba poderia não sugar mais o combustível.
Encontramos um posto de combustível já perto de 200km rodados, mas estava desativado. E só dessa manobra de entrar na área do posto a Caravan já manifestou os sintomas do “meio-tanque”, e desligou. E nem uma alma ali naquela birosca para nos dizer onde era o posto mais próximo!
Esse era o cenário mais uma vez… ir até onde ela pudesse nos levar!… Bem, entre uma falhada, desligada e outra conseguimos chegar na cidadezinha de Ingeniero Juarez, onde tinha um posto funcionando. Mas para chegar até o pátio do posto e parar na bomba para abastecer quase tivemos que empurrar a Caravan, de tanto que desligou. Isso significava que se tivesse mais um quilometro a frente não chegariamos com ela. Iríamos ter que buscar a pé o combustível, isso se encontrássemos alguém para dizer onde existia um posto.
Bem, agora pleno de combustível a Caravan deslizou suave tarde a dentro, com a rodovia ensolarada! Chegamos em Las Lomitas onde encontramos um posto já dentro da cidade, com acesso bem precário. Bom, até tinha informação de outro posto naquela cidade, mas não era o caso, desde que aquela gasolina não fosse adulterada, o posto poderia ser até de sapê!
Embora estívessemos no finalzinho do Verão e o dia longo, já estava anoitecendo e mais um ocaso espetacular assistido em plena viagem… E a noite chegou com os perigosos buracos na estrada, já era hora de encontrar um lugar para pernoitar. Chegamos em uma cidadezinha chamada Laguna Naick Neck. Encontramos um posto bacana do lado direito da rodovia, mas estava em reforma, do outro lado tinha um outro com aspecto mais simples. Fomos bem atendidos na lanchonete, comemos uma deliciosa pizza, sim estava com um aspecto muito agradável e estávamos famintos. Porém, não me fez muito bem para mim e para os outros, acho que o queijo não era muito “fresco”. E isso significou umas idas mais constantes ao banheiros apartir daquele momento. E para ajudar, o banheiro não tinha água… segundo o funcionário a caixa d’água esgotada seria abastecida por um caminhão pipa apenas no dia seguinte!… Bom, eu não podia explicar isso para os nossos intestinos!… Usar banheiro, de posto, sem poder dar descarga… bem os episódios se repetiram noite a dentro! Mas a culpa era do alimento mal preparado, então eles que arcassem com as consequências! Iam limpar o banheiro a noite inteira também! Além do fato de mesmo vendo que chovia não deixaram montarmos a barraca. Tinha uma cobertura para os carros estacionarem, bastante espaço seria bem favorável para nós. Bom, de qualquer forma nos ajeitamos e dormimos dentro do carro, como já fizéramos outras vezes!
E finalmente descansamos no dia que mais rodamos desde o início da viagem, foram perto de 1000kms rodados!



