Laguna Naick Neck/AR x Cascavel/PR
Saímos de manhãzinha em direção a Aduana Argentina/Paraguai. Encontramos no caminho um posto chamado Loyola. E o melhor é que dispunha de duchas quentes. Todos tomamos banho. A idéia agora era uma batida só até chegar em casa.
Nessa Aduana é praticamente o mesmo ambiente onde se faz a saída da Argentina e a entrada no Paraguai. Bem o processo de saída da Argentina foi muito tranquilo, já o de entrada no Paraguai…
Entreguei os passaportes de todos ao agente da migração. E foi aí que começaram os problemas, pediu a certidão de nascimento dos menores!!! Como assim?? Já estão aí os passaportes, eu e minha esposa juntos, os filhos e os pais, todos com passaporte, para que diabos pedem certidão de nascimento??… Bom, agora já estamos diante de algo que foge totalmente das regras de imigração internacional!
Pois bem, agora estávamos em uma situação extramente delicada. As saídas possíveis seria fazer todo o caminho de volta e entrar no Brasil por Dionísio Cerqueira ou Puerto Iguazu, isso significaria pelo menos mais um dia de viagem, e não tínhamos essa disponibilidade, nem de grana tampouco de tempo. Apelei para o bom senso do agente, disse que tinha as certidões de nascimento escaneadas no Google Drive, poderia apresentar a ele se houvesse uma conexão de internet. Ele disse que aceitaria a cópia impressa! Isso já era uma grande coisa, o problema agora se resumia a encontrar um lugar para acessar e imprimir, ou seja, voltar a cidade de Clorinda ali próxima e procurar uma lanhouse ou algo assim. Quando deixei o guichê encontrei um agente policial que saía de alguma sala por ali. Conversei com ele sobre o problema, me apresentei como policial no Brasil, e que desconhecia esse procedimento. Ele perguntou se eu tinha dito que era policial para o funcionário da migração, respondi que não tinha. Ele disse para informar, poderia ser que ele considerasse. Entrei na fila novamente, e expliquei novamente para o funcionário que estávamos vindo de uma viagem longa desde o Equador, e não tivemos qualquer problema de migração até ali, e como policial respeitava e conhecia os procedimentos de entrada de estrangeiros e tal… mas isso não funcionou, insistiu que a entrada de menores no Paraguai somente com apresentação das Certidões de Nascimento, pois mesmo que eu não apresentasse ali, no caminho até Ciudad del Leste eu correria o risco de ser fiscalizado pela polícia e iriam pedir as certidões carimbadas pela Aduana. Que merda! O policial da Aduana esperou eu sair do guichê e perguntou se tinha dado certo. Eu disse que não, então ele me pediu para o acompanhar. Fomos, eu o Matheus, atrás dele até um escritório de uma agência de viagem ou algo assim, onde ele explicou para um rapaz a nossa situação e que precisávamos imprimir uns documentos. Esse rapaz foi bem solícito e nos deixou usar seu computador para acessar o Google Drive e imprimir as certidões. Agradeci muito, ainda existem pessoas de bom senso que ajudam as outras! Voltei acompanhado do policial que me disse para chamá-lo caso não desse certo. E apresentei as cópias ao senhor da imigração ele carimbou elas, carimbou os passaportes, e finalmente entramos no Paraguai.
Dessa forma fique registrado a importância de ter todo tipo de documentos digitalizados na nuvem, numa situação como essa foram extremamente úteis!
Essa Aduana tinha muita cambista, vendedores, etc… muito tumultuada uma bagunça! Prato cheio para aproveitadores… tivemos que ter muita atenção enquanto fiscalizavam a bagagem do carro, pois fica muita gente que não tem nada a haver em volta.
Existe uma praça de pedágio há uns 20km da Aduana. Os cambistas te alertam para comprar guaranis com eles, pois nessa praça só aceitam a moeda local. Pelo sim pelo não cambiei os pesos argentinos suficientes para o pedágio. E realmente o pedágio não aceita outra moeda!
Assim chegamos em Assunção, agora era achar um lugar bom para se alimentar! Antes precisávamos achar um caixa eletrônico, era a única forma de pagar alguma coisa. Os cartões não funcionavam no Paraguai também.
Agora um outro problema nos iria tomar um precioso tempo. O Matheus precisava voltar para Buenos Aires para um procedimento estudantil cujo prazo final era no máximo até a sexta, e já era quarta. Estávamos negociando com uma pessoa que nos devia a compra de uma passagem aérea partindo de Curitiba para Buenos Aires para o dia 22/03. Porém, se essa pessoa não comprasse, a alternativa seria o Matheus partir dali mesmo de Assunção para Buenos Aires só que de ônibus. Então enquanto desenrolavamos essa situação, ficamos pela capital do Paraguai. E nos surpreendemos. A visão que a gente tem do Paraguai é daquela “babilônia” em Ciudad del Leste. Assunção é muito moderna e organizada! Fomos até um Shopping, queríamos um McDonalds e internet… topamos um Burger King mesmo!! Chegamos perto das 10h da manhã e por ali ficamos por quase duas horas esperando o desenrolar da situação da compra da passagem. E finalmente a pessoa confirmou mandando o bilhete da passagem pelo Whatsapp.

Agora era enfrentar os trezentos e poucos quilômetros até chegar em Ciudad del Este e chegar incólumes. E já sabíamos que iria ser difícil não ser abordados por policiais mal-intencionados. Não demorou muito.
Não vou narrar muitos detalhes. Fomos abordados três vezes. A primeira abordagem bem tranquila, o policial pediu os documentos, verificou os carimbos do passaporte e pronto! Na segunda abordagem também, muito tranquilo. A terceira abordagem é que realmente chamou a atenção. Tínhamos rodado nem 10km após a segunda abordagem e paramos em um posto de combustível. Abasteci, comprei água e copos descartáveis. A Are me entregou o comprimido para dor de cabeça, entrei na via e mal acelerei vi uma caminhonete descaracterizada parada fora do acostamento e um policial uniformizado saindo dela. Bem, parecia uma situação normal de abordagem, exceto pelo veículo sem qualquer simbolo ou dispositivo. A rodovia é toda de pista dupla desde Assunção até Ciudad del Este. Por esse motivo procurei manter a velocidade mais moderada possível tanto para economizar combustível, quanto para evitar uma multa de radar, enfim! Mantive os faróis baixos acesos durante o dia durante toda a viagem, verificava sempre se o pessoal estava com o cinto de segurança. Mas não foi suficiente. Essa caminhonete passou muito acelerada pela faixa da esquerda, parecia estar com muita pressa, e estava. Pressa em nos abordar! Pouco adiante, tinha uma blitz, com os cones na pista e existiam duas viaturas de polícia paradas na margem direita. Essa caminhonete parecia que ia passar sobre elas quando saiu do acostamento e parou no canteiro. O policial desceu muito rápido e deu sinal para encostar.
Bom, essa foi a pior abordagem policial de toda a viagem. Pior até que a do Equador onde fomos extorquidos. O policial ofegante, em tom agressivo pediu os documentos. Sim, entreguei. Ele colocou a mão para dentro do carro e girou interruptor do manete de pisca. E disse, parei porque esse aqui tá desligado! E girou o interruptor várias vezes, mas acionou o limpador de pára-brisas, e por isso ele não contava. Na maioria dos carros ali é o interruptor dos faróis, na Caravan não é! O interruptor do farol fica abaixo no painel, e estava aceso, não desliguei quando paramos. Se a intenção era fazer parecer que eu estava com farol apagado mexendo interruptor não deu muito certo o plano dele. Isso o deixou um pouco irritado, pois contestei dizendo que estava aceso, e o farol estava mesmo! Ele pediu para eu descer do carro. Já deduzi o que seguiria. Pediu para abrir as portas, e nisso se aproximou outro policial pela lateral direita do carro e começou a conversar com o Matheus que estava no banco do meio da direita. Perguntou de onde vinha para onde ia, narrei todo o itinerário e que agora estava chegando em casa. Falei que trabalhava na mesma atividade que ele no Brasil, etc. Mas essa parte ele parece que não entendeu muito bem. Disse que aquela região era uma parte com muito trânsito de facções criminosas do Brasil. Eu disse que por aqui também temos muito problema e tal. O outro policial já estava olhando até a necessàire tirando escova de dente para fora, perguntando para os meninos se eles fumavam maconha, total sem noção!
Bem, eu vi que aquela abordagem não estava se desenrolando de uma maneira muito favorável. Disse ao policial com mais ênfase que eu trabalhava no enfrentamento ao narcotráfico, que meus filhos nunca fizeram nem fariam uso de qualquer substância ilícita, pois como um policial trabalhando dia-a-dia com esse tipo de problema tinha educado muito bem meus filhos para se manter longe de drogas. Só então ele mudou o tom e pediu meu contato para trocarmos informações sobre quadrilhas atuando, etc… Bem, desse momento em diante a abordagem se transformou em conversa de compadres e saí dela com um contato de polícia no Paraguai. Volta e meia trocamos informações ainda. E após esse episódio que poderia se reverter em algo mais desagradável, partimos em direção a Ciudad del Este, queríamos chegar a tempo de pegar aberta alguma loja boa no Paraguai. Não conseguimos. Só o Shopping Ciudad del Este estava aberto. Compramos uns presentinhos e partimos.
Demos a saída tranquilamente na Aduana Paraguaia, nem pediram certidão de nascimento carimbada na entrada, coisa nenhuma! E entramos no Brasil… como é bom estar de novo em seu País!! Sem precisar carimbar, mostrar, imprimir nada!… Agora só íamos parar quando chegassemos em Araucária! Cruzamos a noite madrugada a dentro! Uma paradinha só para um cochilo…

