Dia 11 (03/03/2019)

Ica x Huarmey

Conforme planejado no dia anterior, os meninos acordaram cedinho, antes de amanhecer e se mandaram para as dunas, fazer sandboard.

O Felipe já estava tão animado que chegou a grava vídeo com narração.

Esse lugar é um dos que ficaram marcados para voltarmos um dia!… Poderíamos ficar um final de semana inteiro ali sem qualquer dificuldade. Se dispuséssemos de mais tempo iríamos conhecer Huacachina, um oásis de verdade que ficava alguns quilômetros de onde estávamos…

Muita dor no coração partimos pois tínhamos que chegar para o passeio em Paracas antes das 8h, e tinha pelo menos 80km de distância dali. A estrada plana mas muito movimentada! Chegamos 07h40.

O passeio de Paracas seria para conhecer a Ilhas Ballestas. Estávamos em contato com uma agência (Zarcillo Tours & Lodge ). Ao chegarmos próximo existiam muitos “piranhas” na rua, querendo nos levar para estacionamentos próximos da praia. Entramos em um acesso errado, e não era possível manobrar, tinha que voltar de ré. Um desses “piranhas” começou a correr ao lado do carro querendo atenção. Mas eu só queria manobrar o carro e sair dali. Logo chegou outro perto do carro e começam a se agredir. Ali os turistas são disputados na porrada, literalmente, pelo jeito!

Conseguimos encontrar o local da agência onde o veículo ficaria estacionado. Um guia nos acompanhou até onde comprava os ingressos. Aglomeração muito grande de turistas. Uma pena que o preço seja dos turistas seja maior do que o praticado para os habitantes locais. E a organização deixa muito a desejar. Guia furando a fila na cara dura e os atendentes do balcão coniventes com eles. Enfim, consegui comprar os ingressos. Algo perto de 40 Soles para cada um.

Após o ingresso já partimos para o pier. Essa parte é bem organizada. Embarcamos num barco onde cabem algo perto de 30 pessoas. No trajeto para a ilha passamos por um lugar onde tem o famoso “candelabro” desenhado em uma parte de areia de uma ilha. O guia explica que especula-se se os autores seriam piratas ou espanhóis. E a areia onde o desenho se forma já está cristalizada, e requer constante vigilância para evitar ser destruído por vândalos ou turistas menos avisados. É uma obra realmente intrigante!

A ilha Ballestas é um santuário de leões-marinhos. É simplesmente incrível a quantidade. E as milhares de aves, disputando cada centímetro de espaço na ilha. O som que os leões-marinhos produzem é um espetáculo à parte! E os pássaros que voam ao lado da lancha, parecem estar querendo apostar quem chega antes no continente. Fantástico!!

Quando voltamos ao estacionamento tivemos uma surpresa um tanto desagradável. Alguma alma sebosa arrancou o pista lateral direito do carro. Foi tirado de propósito, furtado. Logo deduzimos que tinha algo a haver com aqueles piranhas que brigaram na nossa chegada. O passeio tinha sido tão bacana que resolvi não ficar valorizando aquela situação. Seguimos viagem em direção a Huarmey.

Tinhamos a previsão de 500km até chegarmos ao local de hospedagem, e ainda iríamos cruzar toda a capital Lima. Então só restava acelerar.

Passamos rapidamente por Pisco para abastecer e nossa previsão era em três horas chegar em Lima. Quando chegamos na região metropolitana de Lima procuramos um mercado grande, e lá a rede Tottus está presente em muitas cidades. Entramos no Tottus Mall de Sur.

Os produtos nos mercados são um pouco mais caros que os nossos, considerando como parâmetro os preços praticados na nossa capital Curitiba. Mas menores ainda que o Chile.

Passamos por Lima, não ficamos preso em engarrafamentos. Apenas o trânsito lento, normal em uma capital federal. A impressão que tive é que o transporte coletivo é bem deficiente. Muitas pessoas esperando ônibus nas paradas. Mas como estávamos de passagem foi apenas uma impressão. Levamos uma hora e pouco para atravessar Lima e sair do tráfego intenso.

Agora já estávamos oficialmente atrasados! O check-in na hospedagem era 15h e faltava ainda uns 350km para chegar.

A estrada colaborou muito, asfalto bom, plano e pouco tráfego. Só mesmo quando passávamos pelas cidades maiores perdíamos um pouco mais de tempo. Fizemos contato com o responsável pela pousada ele disse que um funcionário nos esperaria em um determinado ponto da rodovia mais precisamente no Km 239,5 da Panamericana Norte.

Já era perto das 21h quando encontramos uma caminhonete parada na quilometragem informada. Identificamos o funcionário, nome dele Alberto, e ele nos guiou para a pousada. Saímos da rodovia e seguimos por uma estrada de areia, toda esburacada. Momento de tensão, pois estava muito sinistro seguir por aquele caminho escuro, uma camionete com um pisca-pisca direito acionado sem parar, um pneu de trás bem maior que o outro. Mas era coisa de nossa cabeça!

Quando chegamos no local da hospedagem existiam trailers e cabanas. Não era possível enxergar muito, apenas o que o farol do carro iluminava. Fomos recebidos por um senhor chamado Castelo. Ele nos disse que poderíamos ir para um dos trailers. Porém tínhamos reservado uma cabana e a situação foi logo resolvida. Preparam muito rápido uma das cabanas, aguardamos no carro por uns 15 minutos. Não era possível enxergar o que nos cercava, se era vegetação, montanhas, ou apenas areia. Era possível ouvir o som das ondas do mar e não parecia estar muito próximo.

Castelo nos chamou para apresentar a barraca onde iríamos ficar. A estrutura e o piso era todo feito de uma espécie de palha grossa. Sem energia elétrica a iluminação principal era com aparelhos de rádio com lanterna embutidas de alimentação com energia solar. E lâmpadas de led nos quartos. Estávamos um pouco desconfortáveis pois entraram três pessoas com a gente nas instalações e quando fomos tirar as malas do carro disseram que eles tiravam. Estavam certamente sendo solícitos mas naquele momento como estávamos um pouco assustados pareciam estar querendo ajudar demais.

O ambiente era muito rústico e limpo. Quartos separados com duas camas cada um, e um com cama de casal. O água para o banho e da pia era salgada. Para beber tinha uma especie de galão feito de um material parecido como o da caixa de leite longa vida, tinha 20 litros de capacidade e uma torneirinha embutida. Esse tipo de vasilhame era comum no Peru, os galões de água eram na forma de caixa de papelão.

Foi a primeira vez na vida que tomei banho com água salgada saindo da ducha. Muito estranho pois o sabonete e shampoo parecem não fazer efeito na pele, pelo contrário, o efeito parecido de estar esfregando o sabonete seco no corpo seco.

Agora era hora de comer né?! No Booking, a descrição do anúncio da pousada informava que a cozinha era compartilhada. Só não informava que era a própria cozinha deles. Fomos então cozinhar o jantar usando o fogão usado por eles para preparar o alimentos que serviam aos hóspedes. Um lugar muito simples, com um mesa comum. Não tinham geladeira pois não tem eletricidade. Usam apenas alimentos que não precisam se manter refrigerados.

Conversei com eles na cozinha enquanto a Neide preparava o que iríamos comer. Olhei para o teto e vi alguns móbiles feitos de osso pendurados. Disseram que foram feitos por três turistas da Alemanha que por ali passaram.

Todos comemos e fomos descansar.

Deixe um comentário